Desemprego em Foz do Iguaçu tem solução, mas depende de boa gestão


Bibiana Orsi*

A geração de empregos está diretamente associada a ações de desenvolvimento do potencial econômico de uma cidade ou território. No caso de Foz do Iguaçu, temos duas vocações bem consolidadas: turismo e serviços logísticos.

Somos a terceira cidade mais visitada pelos turistas no Brasil e o maior porto seco da América Latina. Contudo, apesar de essas essas vocações serem motivos de orgulho para a cidade, não têm sido suficientes para gerar um saldo positivo de empregos, o que é indispensável para reduzir a informalidade e ampliar a renda dos iguaçuenses.

Uma rápida análise de dados permite concluir que a economia local está negligenciada há, pelo menos, duas décadas, evidenciando a incapacidade das últimas gestões de oferecer oportunidades à população de Foz. A situação se agravou no contexto da crise decorrente da pandemia do novo coronavírus, uma vez que tanto o turismo quanto o porto dependem das fronteiras abertas para pleno funcionamento.

Dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) apontam que entre 2000 e 2020, Foz gerou em média 1,8 mil empregos por ano. Cascavel ofereceu, no mesmo período, cerca de 3.150 postos de trabalho por ano. Sim. Uma cidade de porte semelhante, sem Cataratas do Iguaçu, sem Itaipu Binacional, sem Paraguai, com a metade do tempo de emancipação política de Foz, gera o dobro de empregos formais.

Alguma coisa precisa ser repensada na estrutura econômica de nossa cidade. Entretanto, neste contexto de crise, em que a retomada precisa ser rápida, é preciso investir em setores com maior capacidade de resposta e geração de empregos a curto e médio prazo.

Historicamente, os setores com maior capacidade de servirem como "motor de arranque" da economia são aqueles ligados à criação bruta de capital fixo, isto é, construção de obras e fabricação de coisas (bens duráveis). Produção industrial em larga escala é algo que Foz do Iguaçu não sabe fazer. Não temos vocação, não temos estrutura física, não temos nem mão e nem "cabeça" de obras para isso. Mas, então, qual a solução?

A construção civil é o setor com capacidade para sustentar a economia local enquanto o setores turístico e logístico se reposicionam. Se há uma coisa a ser feita em Foz do Iguaçu é obra. Nossa cidade possui um déficit gigantesco em infraestrutura e um potencial imenso para implantação de equipamentos públicos e privados focados em serviços, lazer, esportes, cultura, mobilidade, saneamento e habitação.

Para concentrar a análise em apenas duas áreas, podemos mencionar a necessidade de oferecer moradia digna aos mais de 8 mil iguaçuenses que vivem em áreas de risco e áreas insalubres, suscetíveis à doenças e alagamentos.

Ao tratar deste tema, o ideal é que o poder público municipal promova a implantação de projetos de reurbanização com investimentos de, no mínimo, 40 milhões de reais por ano, até 2025. Este valor é suficiente para a implantação de 600 moradias, anualmente, resolvendo as situações mais críticas no curto prazo.

Além disso, é preciso que os poderes público e privado foquem seus esforços na implantação das obras de infraestrutura e mobilidade previstas no Plano Diretor e no Plano de Mobilidade, além de implantar os equipamentos públicos previstos nestes documentos. O governo local pode, ainda, implantar programas de resiliência urbana, com especial atenção aos projetos e programas prioritários.

Entre eles, as concessões do Centro de Convenções e do Complexo III Lagoas; a viabilização e adaptação da Sede da Sede da Secretaria de Saúde, do Teatro Municipal, do Museu dos Pioneiros, do Subcentro Praça da Bíblia, e da Arena Esportiva Multiuso; e desenvolvimento do dos programas Beira Foz, Reinventando Foz e Anel Verde Perimetral; ativação dos vazios urbanos; e execução das ações do Plano de Saneamento e do Plano de Recursos Hídricos.

Este conjunto de medidas, tem o potencial de criar um ciclo virtuoso de geração de empregos e expansão da renda dos iguaçuenses. O setor da construção civil impacta mais 90 outros segmentos de negócio e gera 13,4 empregos a cada 1 milhão de reais de valor adicionado. Isso significa que apenas o conjunto de obras de habitação sugerido na acima teria o potencial de gerar 536 empregos formais diretos em apenas 1 ano. Isto é um terço do que toda a economia de Foz gerou anualmente, nos últimos 20 anos. Não é difícil concluir que Foz do Iguaçu tem (mais de uma) saída para esta crise, basta desejo de fazer acontecer.

* Bibiana Orsi é agente de polícia federal e presidente licenciada do Sindicato dos Policiais Federais do Paraná (Sinpef/PR). Também é graduada em direito e professora universitária. Em 2018, concorreu pela primeira vez a um cargo eletivo, de deputada federal, pela Frente de Agentes da Polícia Federal. Em 2020, se apresentou como pré-candidata à Prefeitura de Foz do Iguaçu.

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