Depois de entregar mais de 103 mil refeições, projeto Marmita Solidária chega ao fim


Em alusão às mais de cem mil refeições produzidas, voluntários formaram numeral com as marmitas, no encerramento do projeto


Ao atingir a distribuição de 103.063 refeições para pessoas carentes de Foz do Iguaçu, em três meses e meio de atividades, o projeto Marmita Solidária encerrou as atividades na última sexta-feira (31.07). A iniciativa de um grupo de amigos, unidos no propósito de mitigar os efeitos da pandemia, atingiu números expressivos em arrecadações que chegaram a R$ 123,4 mil em dinheiro e cerca de 13 toneladas de alimentos. Entre doações em efetivo e insumos, a movimentação passou de R$ 500 mil.

“Tudo a partir do propósito da promoção social, sem nenhum recurso público e sem viés político”, faz questão de ressaltar o idealizador e coordenador do projeto, empresário Antônio Hernandes Gonzales Júnior. A iniciativa começou com a distribuição diária de 200 marmitas e atingiu 1,2 mil refeições servidas todos os dias por um grupo de voluntários em revezamento no trabalho de coletar, produzir, acondicionar e transportar os alimentos para locais de maior carência da cidade.


A distribuição contou com apoio de lideranças das comunidades da Invasão do Bubas, favela da Sadia, vila C, Jardim São Paulo, Cidade Nova, vila São Sebastião, Lote Grande, Vila Andradina e favela do Monsenhor Guilherme. Também foram atendidas famílias carentes cadastradas e pessoas desassistidas de alguns cruzamentos. Diariamente, a operação envolveu pelo menos 20 pessoas, de segunda a segunda.


A decisão de encerrar o projeto foi tomada ainda no início de julho e os beneficiados foram informados de que a entrega teria data para acabar. A quantidade de marmita foi reduzida primeiro para mil e, na última semana, para 750 marmitas por dia.  “Do ponto de vista de quem está colaborando, as pessoas se sentem desgastadas com a atividade intensa que demanda muito envolvimento”, justifica o coordenador.

Com 10 dias de antecedência, quando as provisões se mostravam suficientes para atender ao prazo estipulado, os doadores também foram informados de que a arrecadação estava suspensa. Os recursos excedentes de R$ 5,9 mil serão convertidos em aproximadamente 100 cestas básicas, a serem distribuídas para a população carente.

“O mais interessante é que, entre doações em dinheiro e insumos, movimentamos mais de meio milhão de reais. Nunca vi um projeto feito única e exclusivamente com dinheiro privado dessa magnitude. A gente sai feliz e gratificado”, avalia Júnior, destacando que a equipe recebeu a gratidão e até homenagens dos beneficiados.

A transparência por meio da prestação de contas diária deu credibilidade à iniciativa. Todas as doações foram registradas e os doadores inseridos em grupo de whats app no qual os recibos foram compartilhados. A quantidade de refeições distribuídas, o cardápio servido e o movimento de entradas e saídas seguia via e-mail. “Diariamente eu mandava esses relatórios. Acho que as pessoas devem ter se cansado de mim”, brinca o empresário, destacando que os números finais também foram compartilhados com os doadores.


A maioria das contribuições eram eventuais, embora alguns doadores se mantiveram durante todo o projeto. “Acompanhamos a iniciativa desde o início e apoiamos pela seriedade do trabalho”, destaca o presidente do IDESF, Luciano Barros, um dos apoiadores da iniciativa. Entre os apoiadores também estão os hotéis da cidade cederam mantimentos estocados devido à pandemia. O 34° Batalhão de Infantaria Mecanizado também deu apoio ao projeto, cedendo o trabalho de dois integrantes da tropa para ajudar na distribuição dos alimentos.

Apesar do intenso movimento e contato, Gonzales Júnior faz questão de enfatizar que todos os protocolos sanitários foram observados entre os voluntários. “Para nós fica a sensação de missão cumprida. Nosso grão de areia a gente colocou”. O empresário envolveu a família na ação e adotou a postura de, tanto quanto possível, manter-se anônimo para evitar que a iniciativa fosse interpretada como promoção pessoal. E credita a solidariedade despertada como um legado da ação. “As pessoas se agruparam por conta do projeto, então descobrimos algo que existia, mas não era tão latente: a solidariedade existe, as pessoas precisam ser cutucadas”.

Texto: Rosane Amadori – Assessoria de Comunicação do IDESF/(45) 99101-1045

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