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Ação emergencial da Itaipu leva mais de 900 cestas básicas para comunidades avá-guarani


Outras sete comunidades indígenas da região serão beneficiadas com 2,5 toneladas de peixe. É a primeira vez em 50 anos que empresa atua para atender essas famílias com ações positivas.


A Itaipu Binacional (margem brasileira) vai doar mais de 900 cestas básicas para 17 comunidades avá-guarani de Guaíra e Terra Roxa, no Oeste do Estado. O trabalho é emergencial e atende pedido do Ministério dos Povos Indígenas (MPI), para minimizar a situação de insegurança alimentar vivida dentro dessas aldeias. A distribuição deve começar ainda nesta quarta-feira (21).


A aquisição será formalizada via Fundo de Auxílio Eventual da Itaipu, por meio da assinatura de um termo de compromisso com a associação indígena da aldeia Ñeboete, de Terra Roxa. A compra está em fase de tramitação interna. Mas, para agilizar a chegada dos alimentos às famílias, a Itaipu fez um acordo com a Defesa Civil do Estado, que cedeu as cestas básicas de sua reserva técnica, em Curitiba, e fez o transporte até Guaíra.


No ofício encaminhado à Binacional, a ministra dos Povos Indígenas, Sonia Guajajara, enfatiza que “a distribuição de alimentos é uma política pública essencial para combater a fome”. “Fornecer cestas básicas para as famílias avá-guarani é um ato solidário e humanista, bem como uma sinalização de que Itaipu reconhece seus compromissos com os povos indígenas”, afirma a ministra.


O gestor dos Programas de Sustentabilidade Indígena da Itaipu, Paulo Porto, disse que essa é a primeira vez, em 50 anos, que a empresa promove uma ação positiva relacionada a aldeias da região que não são reconhecidas formalmente. “A atual gestão entende que é necessário ter um novo olhar para essas comunidades, não apenas com medidas paliativas e emergenciais, como é o caso das cestas básicas, mas com políticas de longo prazo. Nosso trabalho vai ser daqui para frente”, afirmou.


Ele citou como exemplo o grupo de trabalho, em fase de constituição, para discutir eventual reparação histórica aos povos avá-guarani, com representantes da própria Itaipu Binacional, Ministério dos Povos Indígenas, Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), Casa Civil, Advocacia Geral da União (AGU) e lideranças indígenas. No início de maio, uma equipe técnica do ministério fez a primeira visita à região.


Doação de peixes


A Itaipu Binacional também vai adquirir 2,5 toneladas de peixes (espécie pacu), que serão doados para sete comunidades indígenas de Itaipulândia e Santa Helena e beneficiarão aproximadamente 160 famílias. O pescado foi produzido no reservatório da usina por piscicultores da região, que recebem apoio da Binacional. “Assim, forma-se uma rede positiva: pescadores produzem, Itaipu compra e distribui, e as comunidades são beneficiadas”, ressalta Paulo Porto.


A distribuição deve começar até o final do mês e será dividida em duas etapas – em cada uma delas, as famílias vão receber de 5 a 6 quilos do alimento. “Muitas famílias não têm geladeira e a distribuição em duas fases facilita a conservação”, disse o gestor. Ainda segundo ele, a Itaipu já iniciou tratativas para ampliar a compra e distribuição de peixes para as comunidades indígenas em 2024.


Apoio às comunidades


Atualmente, a Itaipu apoia três comunidades em sua área de influência, formalmente reconhecidas: Tekoha Ocoy, em São Miguel do Iguaçu; e Tekoha Añetete e Tekoha Itamarã, em Diamante D’Oeste. Juntas, as três aldeias (ou tekohas, na linguagem guarani) reúnem cerca de 340 famílias e mais de 1,5 mil indígenas. O objetivo é melhorar a qualidade de vida das famílias, investir na produção agropecuária, promover a segurança alimentar e nutricional, incentivar a cultura e o turismo comunitário.

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